terça-feira, 17 de maio de 2011

Site sobre simbologia (Simbologia)

Site interessante que agrega narrativas míticas e abordagens históricas relativas ao mundo simbólico: http://symbolom.com.br/wp/ .

O poder dos símbolos

Segue um interessante vídeo realizado pela TV Azteca (em espanhol), mas creio que não será difícil entender a língua.

Simbologia dos números na obra "Mensagem" de Fernando Pessoa

Esse vídeo apresenta curiosas construções simbólicas realizadas intencionalmente pelo poeta português Fernando Pessoa (que era um entusiasmado pesquisador da área), através de sua única obra publicada (Mensagem) na qual ele brinca com os números.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

A fênix (71ª lâmina do Symbolon)




O Blogger ainda está apresentando problemas e só agora consegui postar esse texto. Espero que tudo se resolva, pois é muito desagradável trabalhar com uma ferramenta cheia de bugs.

Embaralhei meu Symbolon e a lâmina que saiu foi "a fênix".


De acordo com CHEVALIER e GUEERBRANT (1990, p. 421) a fênix, segundo o que relataram Heródoto ou Plutarco, é um pássaro mítico, de origem etíope, de um esplendor sem igual, dotado de uma extraordinária longevidade, e que tem o poder, depois de se consumir em uma fogueira, de renascer de suas cin­zas. Quando se aproxima a hora de sua morte, ela constrói um ninho de vergônteas perfumadas onde, no seu próprio calor, se queima. Os aspectos do simbolismo apa­recem, então, com clareza: ressurreição e imortalidade, reaparecimento cíclico. É por isso que toda a Idade Média fez da fênix o símbolo da ressurreição de Cristo e, às vezes, da natureza divina — sendo a na­tureza humana representada pelo pelicano. A fênix é, no Egito antigo, um símbolo das revoluções solares; ela está associada à cidade de Heliópolis. É possível, entretanto, que essa cidade do Sol não seja ori­ginalmente a do Egito, mas a Terra solar primordial, a Síria de Homero. A fênix, dizem os árabes, somente pode pousar na montanha de Qaf, que é o pólo, o centro do mundo. Seja como for, a fênix egípcia, ou Bennou, estava associada ao ciclo quo­tidiano do sol e ao ciclo anual das cheias do Nilo, daí sua relação com a regeneração e a vida.

Como se tratava, no Egito, da garça real purpúrea, pode-se evocar o símbolo de re­generação, que é a obra em vermelho alquímica. Os taoístas designam a fênix com o nome de pássaro de zarcão (tanniao), sendo o zarcão o sulfeto vermelho de mer­cúrio. A fênix corresponde, além disso, co­mo emblema, ao sul, ao verão, ao fogo, à cor vermelha. Seu simbolismo se relaciona também com o Sol, a vida e a imortalidade. A fênix é a cavalgadura dos imor­tais. É o emblema de Niukua, que inventou o cheng, instrumento de música em forma de fênix, imitando o canto sobrenatural da fênix.

A fênix macho é símbolo de felicidade; a fênix fêmea é o emblema da rainha, em oposição ao dragão imperial. Fênix macho e fênix fêmea são, juntos, símbolo de união, de casamento feliz. Além disso, as fênix de Siao-che e Long-yu, se manifestam a felicidade conjugal, conduzem os esposos ao paraíso dos Imortais. É uma fênix que revela a Pien-ho a presença do jade dinás­tico dos Tcheu, símbolo da imortalidade, e é o Fong-hoang, manifestação de puro yang, que aparece na ocasião dos reinados felizes.

Al-Jili faz da fênix o símbolo daquilo que só existe em função do próprio nome; ela significa aquilo que escapa as inteligências e aos pensamentos. Assim como a idéia de fênix não pode ser alcançada a não ser através do nome que a designa, Deus não pode ser alcançado a não ser pelo inter­médio de seus nomes e de suas qualidades. Esse pássaro magnífico e fabuloso levan­tava-se com a aurora sobre as águas do Nilo, como um sol; a lenda fez com que ele ardesse e se apagasse como o Sol, nas trevas da noite, e depois renascesse das cinzas. A fênix evoca o fogo criador e des­truidor, no qual o mundo tem a sua ori­gem e ao qual deverá o seu fim; ela é como que um substituto de Xiva e de Orfeu.

Ela é um símbolo da ressurreição, que aguarda o defunto depois do julgamento das almas (psicostasia) se ele houver cum­prido devidamente os ritos e se sua confis­são negativa foi julgada como verídica. O próprio defunto se transforma em fênix. A fênix freqüentemente leva consigo uma estrela, para indicar sua natureza celeste e a natureza da vida no outro mundo. A fênix é o nome grego do pássaro Bennou; ele figura na proa de diversas barcas sagra­das, que vão desembocar no vasto incêndio da luz. . . símbolo da alma universal de Osíris que criará a si mesma de si mesma para sempre, por tanto tempo quanto durar o tempo e a eternidade.

O pensamento ocidental latino tinha que herdar alguma coisa do símbolo referente à fênix, pássaro fabuloso, cujo protótipo egípcio, o pássaro Bennou, gozava de um prestígio extraordinário em função de suas características. Entre os cristãos, será, a partir de Orígenes, considerado um pássaro sagrado e símbolo de uma vontade irresis­tível de sobreviver, bem como da ressurrei­ção e do triunfo da vida sobre a morte.

Todos nós contamos com uma fênix dentro de si. Quando chegamos "ao fundo do poço", quando acreditamos que nada mais é possível, quando parece que não há nada mais a ser feito, de repente emergimos e ganhamos força suficiente para nos refazermos, dando uma volta por cima e recriando a nossa vida. A fênix lembra que o mesmo fogo da paixão que nos consome (e pode até nos destruir), também nos levanta e nos motiva, pois a vida sem paixão fica sem significado, sem sentido. Que é preciso crer que, embora tudo prove ao contrário, que a vida segue mesmo depois das maiores dificuldades. Nada é absoluto, permanente e para sempre - mesmo a fênix um dia morre, tudo tem seu tempo e sua hora. Como símbolo de uma ave, pede para nos libertarmos e voarmos alto, acima das cinzas de nossa desesperança ou desespero. É um recomeçar, como num circuito reencarnatório, uma nova chance e opção é oferecida. É pegar ou largar.

Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%AAnix.

Bibliografia:

CHEVALIER, Jean e GUEERBRAN, Alain. Dicionário de símbolos. 3ª ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 1990.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O simbolismo do dólar


Se analisarmos pormenorizadamente o dólar (como moeda corrente universal) podemos perceber que ele traz consigo uma forte carga de prosperidade e poder, sendo adotado em muitos países como moeda de negociação interna e externa. Mas a que se atribuir tanto sucesso?

A cor verde, adotada tradicionalmente em todas as notas, representa regeneração e é uma das representações do elemento terra (vegetação). O verde associa-se em alguns casos à prosperidade, a exemplo de algumas tradições, como na Irlanda na festa de São Patrício (Saint Patrick, no dia 17 de março, significando "Dia da Sorte") que utiliza a imagem de Leprechauns vestidos de verde (uma espécie de gnomos) e trevos de quatro folhas (também verdes). O verde é adotado como símbolo da liberdade e esperança, algo que sempre se configurou como lema americano.

Na nota de um dólar, temos, na frente, a efígie do presidente americano George Washington, um dos políticos que mais lutou pela liberdade de ideais americanos. George Washington, antes de deixar o exército, escreveu: "não tendo que reivindicar qualquer recompensa. Ficarei satisfeito se tiver a felicidade de obter a aprovação dos meus concidadãos. Compete-lhes, ainda, para completar os meus desejos, adotar um sistema de governo que assegure a futura reputação, tranqüilidade, felicidade e glória deste vasto Império".

No verso, destaca-se o famoso Grande Selo Americano: esta imagem é composta pela pirâmide, cuja pedra da cumeeira traz o triângulo destacado por um halo luminoso, com um olho no centro. Esse símbolo representa "o Olho que tudo vê" ou "o Olho de Deus" (intuição, para alguns), símbolo muito tradicional entre os maçons (muitos representantes políticos da época, eram, na sua maioria, maçons, e adotavam em suas alegorias símbolos sagrados, não deixando de fora as insígnias do próprio país). O famoso selo dos Estados Unidos, foi adotado por ato do Congresso Continental em 20 de junho de 1782 e readotado pelo novo Congresso em 15 de setembro de 1789. O simbolismo por trás da figura parece evocar um poder ancestral, pois a imagem da pirâmide sempre foi considerada harmônica, representando a estabilidade na matéria através da captação das forças cósmicas. Para D. Davidson e H. Aldersmith, pesquisadores americanos de egiptologia e piramidologia, a imagem do selo retrata a pirâmide de Quéops como "símbolo do Reino da Pedra, com a Pedra Apical - simbólica de Cristo, 'a pedra angular' - suspensa do Olho da Providência, bem sobre o eixo do centro da estrutura, que assim é representada incompleta sem ela".


A pirâmide é composta por treze camadas, evocando a evolução e a escalada do homem para chegar às alturas. Na base temos MDCCLXXVI (1776), que, se somarmos, obteremos o número 3 (criação) e logo abaixo segue a inscrição: NOVUS ORDO SECLORUM ("a nova ordem dos séculos"). Vamos observar a insistente aparição do número 13, muito forte no simbolismo do dólar.

Em The Secret Teachings of All Ages, Manly P. Hall também se refere ao Grande Selo dos Estados Unidos e observa que o estabelecimento do governo foi controlado por místicos. Hall mostra que não só a pirâmide está implicada no selo, mas também o simbólico e misterioso número 13 foi incorporado várias vezes em ambas as faces. O constante aparecimento do número místico não parece se relacionar apenas com as primeiras colônias que formaram os Estados Unidos, segundo Hall, que mostra sua presença no reverso várias vezes: treze estrelas sobre a cabeça da águia, formando a estrela de David, circundada por uma nuvem; treze estrelas no lema E PLURIBUS UNUM ("a unidade na diversidade"), que a águia carrega no bico; treze estrelas e treze bagas no ramo de oliveira seguro pela garra direita da águia; treze flechas na garra esquerda; treze faixas no emblema em seu peito. O reverso, onde aparece a Grande Pirâmide, tem um lema ANNUIT COEPTIS ("Ele olhou com benevolência"), que contém treze letras, além dos citados treze degraus da pirâmide. O treze é considerado por alguns como número de azar ou mau augúrio, e, para outros, portador de boa sorte. Numerologicamente, a soma resume-se no algarismo 4, que significa a base, o alicerce, o trabalho, a terra, a forma, a estabilidade. É um número considerado cármico, e está associado ao arcano do tarô "a morte" ou "arcano sem nome" que evoca a idéia do rito de passagem para uma nova fase. O 13 é o 1 (homem) diante do 3 (criação), onde busca-se materializar as idéias ou motivações. Na verdade, tratando-se de um número cuja essência é material, adapta-se bem às questões financeiras e políticas. Quem sabe não seja mesmo um catalisador para a prosperidade?

A águia, símbolo máximo americano, está associada ao signo de escorpião, uma alusão ao poder. Vale a pena dar uma olhada na águia que se encontra no brasão das lâminas do tarô, a Imperatriz e o Imperador. Representa a magnitude espiritual, por voar alto e fazer seu ninho nos picos mais altos, além de ser uma ave de rapina que não come animais já abatidos (prefere alimento fresco). Ainda, por característica, tem a capacidade de enfrentar as tempestades e voar logo a seguir, acima das nuvens carregadas. As flechas que ela carrega representam o poder de penetração, a milícia, o elemento que atinge o alvo. Preste atenção que ela carrega na garra esquerda (o lado do escudo). Isso pode estar representando a idéia de que: "a melhor defesa é o ataque".

Já o ramo de oliveira na garra direita (lado da espada), é muito significativo. A oliveira é uma das árvores sagradas. Cristo, quando se viu cansado e abatido, foi se refugiar no Jardim das Oliveiras. O floral Olive (Oliveira) é indicado para aqueles que se sentem cansados física e mentalmente. Parece ser uma árvore com poder reabilitador (os americanos não se dão por vencido facilmente). As estrelas acima da cabeça, fazendo o desenho da estrela de Davi, evocam a Luz Suprema. A estrela sempre foi um símbolo de orientação, além de representar a busca da verdade. No tarô, particularmente no baralho de Waite, o Eremita empunha uma lanterna com uma estrela dentro (a estrela é a de David), significando a Luz da Verdade. O fato dessas 13 estrelas desenharem a estrela de David é muito interessante, pois muito do poderio americano se deve aos próprios judeus (vide Hollywood, Dallas, New York, etc). É um entrelaçamento de dois triângulos, representando forças antagônicas que se harmonizam (o triângulo da matéria com o triângulo do espírito). Já dizia o ocultista Aleister Crowley: "todo homem e toda mulher é uma estrela". O fato dessas estrelas surgirem através de uma nuvem, sugere a dissipação das trevas, a dissipação das ilusões. O círculo em volta da imagem do selo representa a totalidade, a perfeição. Nada mais significativo que somar a imagem da pirâmide (ou triângulo) com o círculo.


Acima da palavra no centro ONE (um, o homem) contém a inscrição "IN GOD WE TRUST" (nós confiamos em Deus), uma frase forte, carregada de fé, algo que está bem introjectado no inconsciente americano.
Parece absoluta a força simbólica contida no dólar, pois os significados por trás da nota americana potencializam o inconsciente coletivo de toda humanidade.

Dicionário de símbolos (on line)

A ideia é simples e prática: reunir, de forma sucinta, alguns símbolos em suas interpretações. Vale a pena dar uma espiadela: http://www.dicionariodesimbolos.com.br .

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Alpha: a origem; symbolon: o símbolo.



Caro(a) buscador(a),

Seja bem vindo(a)!

Depois de muito relutar, pensar e repensar em criar um blog, vim amadurecendo nos últimos dois anos um projeto que pudesse englobar temas de interesse comum, não apenas aqueles que se propõem a atender um público específico, mas que se dispusessem atrair o interesse de uma maioria. Vivemos e meio a um mundo de fortes apelos visuais, com a mídia, a moda, as artes e a internet bombardeando-nos de forma incessante (todos os dias) treinando a nossa retina e nossa capacidade de percepção. No entanto, independente dos apelos subliminares, deixamos de lado a essência de alguns conteúdos que acabam nos escapando em função do excesso de informações que recebemos. O que move o mundo imagético (das imagens) são os símbolos e muitos de nós não mais prestamos a atenção em suas significâncias ou significados. O termo símbolo é proveniente do grego "symbolón" e, dentre os vários significados, está o de unir ou de integrar. O homem construiu civilizações, formulou religiões, expandiu suas culturas e buscou a compreensão de si mesmo através dos símbolos que, miticamente, artisticamente ou oniricamente, transformaram o mundo e deram sentido à nossa existência. Nesse primeiro momento não me estenderei em explicações longas sobre o que são os símbolos e a que se destinam, o espaço aqui aberto propõe-se a fazer uma ponte entre a realidade presente (seja individual ou coletiva) e o universo de imagens que revelam, na maioria das vezes, a razão do homem e do mundo ser o que são.

O blog se dividirá em três tipos de assuntos: o estudo e a reflexão sobre alguns símbolos importantes de todas as culturas (antigas e contemporâneas); análise da simbologia das cartas de tarô, Lenormand, symbolon, oráculo Belline (dentre outros) e, explanações sobre os símbolos do mundo moderno e suas manifestações/influências na cultura ocidental e oriental. Muitas das observações serão marcadas por citações de importantes pesquisadores da área (Carl Jung, Joseph Campbell, Junito Brandão, Lévi Strauss, Jean Chevalier, Alain Gheerbrant, René Alleau, Federico Revilla, etc.) mescladas à opiniões pessoais com vídeos ou figuras.

Convido-o(a) a ler uma matéria publicada na revista "Leituras da História" de nome "A Viagem do Símbolo" a qual considerei bastante elucidativa e rica em conteúdo para uma compreensão mais acurada sobre o universo simbólico e suas propriedades.